segunda-feira, 16 de julho de 2007

"É o país que temos!"

Não existe para mim frase mais enervante do que "É o país que temos!"... por qualquer coisinha que acontece há-de haver sempre um sacana dum Zé Povinho (ou de uma Maria Povinha) a choramingar um "É o país que temos!": se há incêndios "É o país que temos!" se uma fábrica fecha "É o país que temos!" se o petróleo aumenta "É o país que temos!" se um político é corrupto "É o país que temos!" se os exames de matemática correm mal "É o país que temos!" se dói a barriga "É o país que temos!" se chove muito "É o país que temos!" se não chove nada "É o país que temos!" ... AAAAARRRRGGGGHHHH!!!

Porque é que será que o desporto naconal do Tuga é falar mal do país? Será que não há ninguém que explique a esta cambada que o "país" não é uma entidade estranha e malévola mas sim que o país somos todos nós!?! Quando ouço uma pessoa falar mal de Portugal torcem-se-me as entranhas e apetece-me esbofeteá-la... O país que temos é o país que nós fazemos todos os dias, na maneira como nos sabemos (ou não) comportar e respeitar enquanto pessoas e cidadãos, na maneira como educamos (ou não) os nossos filhos e alunos, na maneira como lutamos (ou não) pelos nossos direitos, na maneira como cumprimos (ou não) as nossas obrigações - o país somos todos nós e só nós o podemos mudar: sim só nós, embora agora ande aí muito na moda defender o integracionismo com Espanha (pelos vistos é in ser-se Ibérico!) se o Zé e a Maria pensam que os espanhóis alguma vez aturariam a sua choraminguice desenganem-se pois não teriam sorte nenhuma - ou mudavam de atitude ou bem podiam ir chorar para outra freguesia...

Antes de andarem para aí de nariz empinado e ar de pseudo ofendido exclamando "É o país que temos!" "É o país que temos!" num misto de choro e pedinchice (sim pedinchice, pois normalmente quem mais se queixa é quem mais benefícios recebe e ainda tem a distinta lata de cuspir no prato em que come) se o Zé e a Maria se preocupassem em fazer um bocadinho mais por este cantinho talvez vivessemos todos num país melhor.

domingo, 15 de julho de 2007

Votar - Democratas de Praia & Sofá

Os que não votam são os esclarecidos...e os que votam?
Lisboa foi a votos e os resultados aí estão.
Para as eleições em Lisboa, houve cerca de 60% de abstenções. 60% que não votaram e, se calhar, muitos deles como um consciente cidadão - a banhos numa praia - que, ao ser instado a comentar as eleições e o facto de não ter votado, com ar de homem letrado e esclarecido, achou que não valia a pena perder tempo e o melhor era "aproveitar o bom dia de praia". Brilhante.
É deste tipo de pessoas que eu gosto, esclarecidas, clarividentes, e dispostas a defender a democracia.
Lá vou eu socorrer-me, mais uma vez, do meu tempo. No meu tempo, no meu tempo, bem no meu tempo, repito, era uma merda, uma grandessíssima merda. Quem defendia a democracia, não podia fazer campanha, ou melhor podia, mas era certo e sabido que ia parar ao xelindró, era preso, ou fugia.
Humberto Delgado candidatou-se a Presidente da República, os cidadãos que se batiam pela democracia lutaram e votaram pela sua eleição. A ditadura assassinou-o. A participação dos cidadãos e nos actos eleitorais autárquicos ou parlamentares, eram uma farsa, um verdadeiro logro. O povo português, de facto, não tinha direito a ter voto na matéria, a decidir sobre o seu país.
Quero eu dizer que o acto de votar implicava risco para a vida daqueles que queriam exercer conscientemente esse direito. O regime da ditadura, não queria que o povo votasse, havia quem o fizesse pelo povo. Tal e qual. Votavam mortos de há vários anos e votavam muitos que nunca tinham votado na vida. As descargas apareciam nos cadernos eleitorais. Milagre, alta tecnologia? Não. Trapaça pura e simples, coação, medo. As denúncias não chegavam ao conhecimento dos cidadãos, aliás, antes das eleições já se sabia quem iria ganhar. Porque haviam regras, se permitia campanha? Não. Precisamente por total ausência de regras e por intimidação aos cidadãos, por haverem "bufos", PIDE e intimidação.
No meu tempo? Desculpem-me o erro da expressão. O meu tempo é todo o tempo que a vida e a lucidez me dêem.
Vivo em democracia, tenho o direito de concordar ou discordar, de acordo com as minhas convicções, que não têm de ser as mesmas dos outros ou de outros.
Há cidadãos que se consideram conscientes, informados e esclarecidos colocando-se no alto do seu pedestal de convencidos, menorizando ou classificando de "carneirada" os que se dão ao "trabalho" de votar. E tecem loas, desenvolvem teorias. Arrogantes, numa pose, que vista através da fotografia, os fazem surgir aos olhos dos comuns, com fumo a sair dos seus notáveis crânios.
Pois, mas aconselhava-os a compararem o seu acto com o de muitos outros que não votam e as teorias que defendem; reflectirem sobre a igualdade do seu acto com a implacável e óbvia inconsciência de muitos outros que fazem o mesmo; a juntarem-se a muitos outros que fazem o mesmo e reunirem-se em congresso para aduzir da asneirada em que resultariam as respectivas conclusões.
Muitos dos eleitores que se abstêm, nivelam-se por baixo, com base no argumento, na eloquência de quem está por cima.
A democracia vive das diferenças, das discordâncias, do diálogo, do debate, da intervenção, da participação e da decisão.
O acto de votar é um inequívoco direito e de dever. Principalmente daqueles que advogam a consciência e o não alinhamento.
Criticar de sofá ou na praia, com a sobranceria que caracteriza aqueles se louvam por essa prática, não é contribuir para mexer com o país e com as estruturas que nos representam.
É comodismo,.Por muito que exercitem em elucobradas elocubrações.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

FORA DE CIRCULAÇÃO

Pede-se, como sempre, que impeçam qualquer divulgação.

A Noite passada tive um sonho...

Pela padraria, numa cavalgada heróica, depois de desembainhadas de forma corajosa e altaneira, uma em cada mão, duas pistolas que mais pareciam duas espadas, que não eram, eram pistolas (cuidado com os pés do cavalo) deambulava D. Fuas comandando as tropas.

D. Fuas, homem de mil cuidados, mas com o trauma do Sítio dos pés do seu cavalo, furibundo, gritava para a gleba que se lhe atravessava no caminho:

- Tu de luisette com dois tês, sai-me da frente e dedica-te a aprender russo, ucraniano, servo-croata e outras línguas terminadas em vitch ou ov e vai fazer ovos escalfados que estou com fome;

- Tu aí ò DoN, que não és Fuas nem lá perto, vê se tiras fotos em condições e começa já por mim, alto, formoso e espadaúdo, sou um belo modelo e autorizo-te a publicitá-las na Net e nas estâncias termais;

- Ei, ei ò Kiku...Kikuchiyo, sim tu, vê lá se arranjas um nome decente e escreves sobre andorinhas, telenovelas e coisas assim, boas e interessantes e deixa de andar a promover o álcool...a incentivar para que se beba tinto, francamente, ainda se promovesses uma boa casta regional como as da Nazaré (de lá, do Sítio), a melhor pinga que há...;

- É pá, psst, tu aí ò pu(n)ta fina, como sublinha o de luisette com dois tês, toma tino, andas armado em cão com pulgas e arranjar sarna para te coçares, um dia destes, combinamos uma jantarada e vais ficar em tal estado, que regressas aos Açores de coleira, açaime e pedigree, assim pode ser que alguém fique contigo ou então, te ponham no canil;

- Estas minhas tropas não têm disciplina, onde estão o DOC que tanta falta me faz para curar as enxaquecas , as artrites reumatóides e receitar aspirinas, e o FADO, oh, o fado! que nos poderia animar... e entristecer, será que enrouqueceu, foi à procura de D. Sebastião ou teve desgosto de amores e dedicou-se ao Gaião? (Kikuchiyo, tu é que tens a culpa).

Tou!Tou!? estância termal de octogenários...? Se eu quero comprar fotos exclusivas? de quem? D. Fuas quê? Roupinha, Roupinho, pouca roupa no masculino? com cerejas, pastéis de Tentúgal e ovos-moles? A cantar o fado na doc, qual? Cais do Sodré?

VAI MAS È DORMIR PÁ!

E voltei a adormecer.


O meu sonho através de uma pintura de Dali.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

EM SOLITÁRIO - II VOLTA AO MUNDO



Skipper Genuíno Madruga
volta à aventura e zarpa no próximo dia 25 de Agosto






Açoriano das ilhas de Mau Tempo no Canal que Nemésio imortalizou, nasceu no Pico, freguesia de S. João, e vive no Faial.

TERÁ COMO DESAFIO MAIOR, A PASSAGEM PELO CABO HORN NA PATAGÓNIA
"Hemingway", assim foi baptizada a embarcação veleira com a qual realizou a primeira viagem de circum-navegação e irá repetir, embora com rotas diferentes , por mais tempo e com maior grau de dificuldade, a partir do próximo dia 25 de Agosto.
Se com " O velho e o mar" Ernest Hemigway homenageou os pescadores, Genuíno Madruga, como pescador, quis homenagear Hemingway.
Já em 1984, enquanto profissional da pesca, adquiriu a primeira embarcação cabinada a operar nos Açores construída em fibra de vidro. De 12m de comprimento, apresentava-se apetrechada dos mais modernos meios auxiliares de navegação e pesca. Denominada "Guernica", como reconhecimento pelo heroismo e coragem da resistência dos habitantes daquela cidade espanhola contra Franco, expressa por Picasso na famosa pintura com o mesmo nome. Inovador, despertou noutros companheiros a emegência de enveredarem também por esse caminho.
Marcel Bardiaux, de Leste para Oeste foi o primeiro navegador solitário a passar o Cabo Horn, o ponto mais a Sul da Terra. Em 1975, este ex-prisioneiro por duas vezes da Alemanha nazi durante a II Guerra Mundial, numa das mesas do famoso "Peter" Café Sport na cidade da Horta, olhando o Atlântico incutiu-lhe de tal maneira a tentação da aventura que, nos 20 anos seguintes congeminou e planeou.
Voltaram a encontrar-se em 1998, Marcel Bardiaux tinha então 88 anos. Mas foi decisivo. Genuíno Madruga determinou-se, decidiu-se e partiu a 28 de Outubro de 2000, chegando a 18 de Maio de 2002, completando a circum-navegação na pasagem por Guadalupe, em 13 meses e 21 dias. Solitário.
Volta a partir a 25 de Agosto, com passagem prevista pelo Cabo Horn, que se apresentará como o maior risco e um enorme desafio à sua resistência e tenacidade. Esta II Volta ao Mundo, decorrerá por 23 meses, ou seja, 10 meses mais que a primeira, com percursos mais longos e rotas mais complexas.
Santa Catarina (Brasil), Ilha da Páscoa, Austrália, Timor Leste, Madagáscar, África do Sul e Sta Helena, serão alguns dos seus pontos de paragem. Regressará em 2009.

Açores - Ilha das Flores CONTRASTES















Santa Cruz - Porto das Poças
O mesmo porto, o mesmo oceano. Verão e Inverno, dois diferentes estados de alma. Acreditem que é assim. O mar transmite, impinge, incrustra estados de ânimo aos ilhéus, a quem vive nas ilhas.
Em barco semi-rígido, daqui à mais pequena das 9 ilhas dos Açores, o Corvo, são cerca de 45 minutos. Durante a viagem, temos a possibilidade de conviver com Golfinhos de diferentes espécies e, por vezes, de ver Baleias.

domingo, 8 de julho de 2007

O PROBLEMA,alguns começaram a ter medo

Vamos a eles Pu(n)ta Fina, mas quem são?
É o sistema, já vi este filme em governos anteriores e de outros partidos e aqueles que nunca foram governo nem vale a pena falar.
Ninguém se inscreve no PC para ser Estalinista inscreve-se sim nos Nazis, mas é esse o resultado no fim da linha.
O problema é o sistema, já o Sporting pela voz do seu presidente na altura falava assim e parece que tem razão.
Na última semana,por causa de um professor que tinha leucemia e morreu a trabalhar considerado apto(será que os professores vão por este governo nos eixos?) e um paciente de Braga que recebeu informação de apto já depois de ter falecido,no parlamento falou-se dos médicos e da necessidade de terem uma competência para formarem juntas médicas, blá…blá…blá….
Houve muita gente em tempos que se reformou sem doença nenhuma e conheço um paciente portador de esquizofrenia considerado apto.Não há volta a dar ao Sistema, não tenham dúvidas quem decide isto são directrizes do governo,”…facilitem hoje …ninguém se reforma agora.”
Segundo o SOL, o provedor de Justiça admitiu persiguição do Governo. Atenção às declarações da Secretária do Governo Carmen Pignatelli "..censura só em casa ou nos locais pròprios..."e o mais estranho ou não, é vir de um Partido Socialista que teve como bandeira a luta pela liberdade e tolerância.
Salazar,Hitler,Estaline,e muitos outros aproveitaram-se como salvadores e lá foi a carneirada.
Há por aí muitos hitlerzinhos à espreita e até falam da responsabilidade democrática (não é a tua Pu(n)ta Fina) a esses vamos a eles,mas o sistema continua.
Na Europa é igual em França 3,5 milhões estão desmpregados e dos empregados 7 milhões vivem abaixo do limiar de pobreza e no resto do mundo nem vale a pena falar,são estes politicos que nos anos 60 nos prometiam pleno emprego com muito descanso e muitas férias no ano 2000.
A Salvação está nos prazeres da vida e uma delas deste País é o Vinho Regional Alentejano que o Kikuetc. referiu, em breve irei procurar, mas também e sobretudo na CIDADANIA, nas actividades cívicas, movimentos civis, aumentar a cultura e o bem estar das populações e não só na carneirada e promessas eleitorais dos partidos.
Manuel Alegre que ainda admiro(?), já disse isso mais ou menos votei nele e agora se estivesse em Lisboa votava na Helena Roseta no resto já não voto há 20 anos.
Neste momento um poema torna a verve mais interessante.
Gibran Khalil Gibran nasceu no Líbano no final do século XIX. Com o crescimento do perigo fascista para a região, lá conhecido como “sionismo”, mudou-se para os EUA,sendo hoje uma das referências intelectuais para o conhecimento da alma do povo muçulmano, druso, maronita ou cristão ortodoxo .
Um poema:
Uma mulher que carregava o filho nos braços disse: "Fala-nos dos filhos."E ele falou:
Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;Pois suas almas moram na mansão do amanhã,que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados...
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força,para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:Pois assim como ele ama a flecha que voa, ama também o arco que permanece estável

Entretanto e enquanto isto continua na mesma , se vos mandarem para este sitio não é mau de todo é perto de Estocolmo na Suécia que têm um melhor sistema do que o nosso . Se poderem visitem nem que seja numa viagem rapidinha.














sexta-feira, 6 de julho de 2007

Os Prazeres de KIKUCHIYO - 1 - Vinho GAIÃO

Um dos prazeres desta minha singela existência é o de me entregar a uma boa garrafa de vinho, preferencialmente quando em boa companhia... Portugal é um país riquíssimo em termos vinícolas e com uma enorme variedade de opções e escolhas. A minha preferência recai no tinto, sobretudo Alentejano, embora Dão e Beiras também marchem muito bem, Douro e Bairrada também não são maus - enfim, o que vier morre! - mas gosto muito de um bom alentejano.

Não tenho pretensões a enólogo por isso não me interessam os taninos nem se tem corpo ou se é frutado, adstringente ou rolhado - aliás irritam-me profundamente aqueles gajos que armados em entendidos olham e olham para o vinho e depois cheiram e depois abanam o copo e olham outra vez e depois abanam mais um bocadinho e depois voltam a cheirar até que finalmente provam e... COSPEM!!!?!?!!! Porra lá para isso, pá! - apreciar um vinho é como apreciar uma mulher: tem de haver uma relação de intimidade e para isso tem de ser um processo muito mais físico e emotivo do que um ritual mecanizado e sistematizado... imaginem o que seria um encontro romântico com uma bela geisha se primeiro a abríssemos uma hora antes para respirar, depois lhe enfiássemos um termómetro para ver se estava à temperatura correcta e depois medissemos a acidez e depois olhássemos e abanássemos e olhássemos e olhássemos e cheirássemos e olhássemos e abanássemos outra vez e mal se provasse um bocadinho cuspiamos logo para o lado - ah! pior que o canal 18! (isso já não existe pois não?)

A minha maneira de apreciar um vinho é muito simples... bebo-o e deixo que ele fale comigo e nem me preocupo em descrever ou racionalizar as emoções que me provoca... simplesmente sinto-as e (se for caso disso) deleito-me com elas! E aí logo decido se gosto ou se não gosto. A minha maneira de apreciar uma geisha... bom isso já é outra história! :)

Hoje venho recomendar o Vinho Regional Alentejano GAIÃO da Companhia das Quintas... comprei a primeira vez uma garafa numa promoção tipo leve 2 pague 1 só para experimentar e acabei por me apaixonar pelo dito e agora é o Alentejano que ando a beber: para quem se interessa por isso fiquem sabendo que dentro da garrafa estão castas Aragonês, Trincadeiro e Castelão bem misturadinhas numa bomba de 13,5º cheios de personalidade - e o melhor é o preço que ronda os 4 euros lá no sítio do costume.

Este fim de semana levem o passaroco lá para casa e bebam-no, preferencialmente bem acompanhados... e depois contem como é que foi!

Vinho Regional Alentejano GAIÃO